Competições Senac RS · Seletiva 26
Módulo 01 · Apostila teórica
Módulo 01 — Como a prova funciona
Por que esse é o primeiro módulo. Antes de estudar qualquer conteúdo técnico, você precisa saber como vai ser avaliada. Estudar sem saber onde a nota mora é treinar no escuro. Esse módulo é o mapa: o formato da prova, como a banca pontua e o que isso muda no jeito de trabalhar.
Base: Descritivo Técnico da ocupação (Competições Senac de Educação Profissional, 5ª edição) e o CIS (o padrão de avaliação das competições).
1. O formato do Projeto-Teste
A prova da Seletiva é um Projeto-Teste: um sistema completo, dividido em módulos, feito sob cronômetro. Na ocupação de Desenvolvimento de Sistemas ele tem 4 módulos, somando até 10 horas e 30 minutos distribuídas em 3 dias. O tema é inédito e só é conhecido na hora (com no máximo 30% de alteração revelado na reunião de alinhamento, dois dias antes).
O tema da nossa preparação é o ecossistema Wedding Pass: um sistema de gestão de casamento (convidados, convites, confirmação de presença, check-in no dia, painel de controle). Mas atenção: o tema real da prova pode ser outro. A gente treina no casamento porque foi o da Regional, mas a habilidade tem que ser transferível. Chegar num tema novo e resolver.
Os 4 módulos
| Módulo | Duração | Dia | O que é |
|---|---|---|---|
| A — Prova Surpresa | 2h | 1º dia | Um desafio-relâmpago, revelado na hora. Testa base sólida e capacidade de resolver o inesperado. |
| B — Banco + API (back-end) | 2h30 | 1º dia | Modelar o banco e construir a API RESTful completa. A fundação de dados do sistema. |
| C — Front-end (Full Stack / SPA) | 4h | 2º dia | A interface web que consome a API. O módulo mais longo e mais pesado. |
| D — Apresentação individual | 2h | 3º dia | Pitch técnico + demonstração ao vivo do sistema, em português, até 10 minutos. |
🎯 Leia a tabela olhando pro relógio. O front (Módulo C) tem 4 horas, quase o dobro do back. Isso não é acaso: bate com o peso de 40% do front na nota. Onde tem mais tempo e mais peso, é onde mais se ganha e mais se perde. Gestão de tempo entre os módulos é parte da prova.
O que cada módulo cobra (visão de conteúdo)
- Módulo B (Banco + API): modelar as entidades essenciais (usuários, convidados), popular o banco com massa de teste (o seed), construir uma API que centraliza as regras de negócio e é agnóstica ao cliente (não importa quem consome, web ou mobile, a regra está no servidor). Usar verbos HTTP corretos, liberar CORS, segurança rígida (senhas criptografadas e autenticação com JWT), garantir integridade referencial, entregar os CRUDs e validar as regras de entrada, tipo impedir que um convidado faça check-in duas vezes.
- Módulo C (Front-end): uma aplicação web (Full Stack ou SPA) com dois perfis de acesso (Operação/Recepção e Gestão/Administrativo), responsiva, consumindo a API de forma assíncrona. Precisa ter um Dashboard Gerencial com indicadores de lotação em tempo real e um Check-in ágil com feedback visual imediato.
- Módulo D (Apresentação): contar o fluxo de dados do sistema, justificar as escolhas de arquitetura e mostrar o sistema funcionando ao vivo. Tudo em português, em até 10 minutos.
Cada módulo tem detalhes próprios no módulo correspondente dessa apostila. Aqui o ponto é enxergar o todo.
2. Como a banca pontua: o CIS
O CIS (Sistema de Informação da Competição, no padrão WorldSkills) é a planilha que transforma trabalho em nota. Ele funciona com dois tipos de avaliação, e entender a diferença muda tudo na hora de trabalhar.
2.1 Avaliação Objetiva (M) — o sim ou não
A avaliação objetiva mede se um aspecto foi ou não foi executado. É concreta, sem opinião. Ou tem, ou não tem. Precisa de pelo menos três avaliadores concordando. Ela vem em duas formas:
- Direta (sim/não): ou você ganha a pontuação inteira, ou perde tudo. Exemplo: "a senha está criptografada no banco?" Sim → ponto cheio. Não → zero. Não existe meio-termo.
- Por dedução (gradual): uma escala pré-combinada dá pontos parciais. O exemplo clássico do próprio descritivo é sobre cores numa interface: usar 1 cor → zero; 2 cores → 20%; 3 cores → 50%; 4 ou mais → pontuação total.
🎯 O que isso significa na prática. Objetivo é a parte "mais fácil" de garantir, porque é binária e você sabe exatamente o que precisa existir. Um check-in que bloqueia entrada dupla ou existe e funciona (ponto), ou não (zero). Por isso, os pontos objetivos são os primeiros que você trava. São a base da nota. Deixar um ponto objetivo na mesa é o erro mais burro que tem, porque não dependia de talento, dependia de lembrar de fazer.
2.2 Avaliação por Julgamento (J) — a escala 0 a 3
O julgamento aproxima a prova dos padrões do mercado. Aqui três avaliadores dão uma nota de 0 a 3 pra cada aspecto, usando uma referência combinada:
| Nota | O que significa |
|---|---|
| 0 | Não atende ao padrão exigido. |
| 1 | Atende parcialmente ao padrão. |
| 2 | Atende ao padrão profissional. |
| 3 | Atende com excelência. |
🎯 A diferença entre 2 e 3 é o nosso jogo inteiro. As duas competidoras já entregam nível 2 em quase tudo (por isso foram 1º e 2º na Regional). "Fazer funcionar" dá 2. O 3 é o acabamento: a mensagem de erro clara, a máscara no campo, o estado de carregamento, o código organizado, o detalhe que mostra cuidado profissional. O treino inteiro é sobre transformar 2 em 3. É por isso que outubro é um mês só de lapidação.
2.3 Como os pesos entram
A nota final não trata todas as competências igual. O Descritivo Técnico define pesos, e o esquema de pontuação respeita esses pesos:
| Competência | Peso |
|---|---|
| Front-end web | 40% |
| Back-end web + banco | 20% |
| Inglês técnico | 15% |
| UX / interface pra experiência do usuário | 10% |
| Banco de dados | 10% |
| Configuração e versionamento | 5% |
Some tudo e dá 100%. A leitura estratégica: um ponto de acabamento no front vale mais que um ponto no versionamento. Não é pra ignorar o versionamento (5% também decide medalha em prova apertada), mas é pra saber onde colocar energia quando o tempo aperta.
3. O que o formato muda no jeito de trabalhar
Saber como se é avaliada não é curiosidade, é estratégia. Três consequências práticas:
1. Trave o objetivo antes de caprichar no julgamento. No começo de cada módulo, faça primeiro tudo que é sim/não (existe/não existe): senha criptografada, JWT funcionando, CORS liberado, os CRUDs respondendo, o check-in bloqueando entrada dupla. Isso é nota garantida. Só depois volte pra lapidar o que é julgamento (organização, mensagens, acabamento).
2. Pense em "o que a banca vê". O avaliador não está dentro da sua cabeça. Ele vê o que aparece na tela e o que está no código. Uma validação que existe mas não dá feedback nenhum na tela pode não pontuar no front, mesmo funcionando. Fazer o certo e mostrar que fez.
3. Gestão de tempo é conteúdo. 10h30 em 3 módulos técnicos é pouco pro escopo. Quem não controla o relógio deixa o Módulo C (o de maior peso) pela metade. Nos ensaios de novembro a gente treina exatamente isso: quanto tempo dar pra cada parte.
4. Autoavaliação do módulo
Se você responde sem consultar, fixou:
- Quantos módulos tem o Projeto-Teste e quanto tempo total você tem?
- Qual módulo tem o maior peso e por quê ele tem mais tempo?
- Qual a diferença entre avaliação objetiva direta e por dedução?
- Na escala de julgamento, o que separa a nota 2 da nota 3?
- Se o tempo está acabando, você caprica no front ou no versionamento? Por quê?
- Por que faz sentido travar os pontos objetivos antes de lapidar os de julgamento?
Fechou o módulo? O próximo é o 02 — Ambiente, ferramentas e versionamento, onde a gente monta a base pra conseguir trabalhar rápido e não perder aqueles 5% bobos de versionamento.